segunda-feira, 8 de outubro de 2012

CRAS VOLANTE: ASSISTENTE SOCIAL AO ENCONTRO DAS DEMANDAS NAS COMUNIDADES RURAIS


RESUMO

Este texto é resultado da experiência de estágio obrigatório em Serviço Social, realizado no CRAS Padre José Silveira, na cidade de Varzelândia-MG, apresentado à Universidade Luterana do Brasil - ULBRA-  como TCC- Trabalho de Conclusão de Curso, para aquisição do Bacharelado. O texto pretende socializar a proposta de trabalho volante  recebida pelos CRAS  frente às expressões da questão social que se tornam demandas nas comunidades rurais. O CRAS volante tem a finalidade de facilitar o acesso aos diversos benefícios de seguridade social. Um trabalho de intervenção e prevenção de vulnerabilidades e riscos. O profissional é um intermediário, um facilitador entre as políticas públicas e os sujeitos envolvidos na demanda, tendo em mente o fato de que a política pública surge em função de uma observação, de um olhar crítico lançado sobre a estrutura social, sobre o contexto em que se encontra um determinado grupo, para depois se atingir cada indivíduo enquanto produto daquele contexto, no caso do CRAS volante, deslocando-se ao encontro dos sujeitos levando informação e possibilidades de acesso aos direitos. O texto está dividido em três sessões, onde a primeira se dedica à reflexão quanto ao objeto de ação do serviço social, ou seja, a Questão social, seus reflexos na vida dos sujeitos e a forma como o serviço social tem trabalhado frente a esta, desenvolvendo estratégias que minimizem as disparidades provenientes da mesma. A segunda sessão aponta o CRAS como meio de garantia de acesso da população aos direitos adquiridos, mostrando quais os seus principais programas e serviços. A terceira aponta o trabalho volante como estratégia de enfrentamento da questão social em prol de famílias dispersas pelo território de abrangência do CRAS, garantindo também a estas os benefícios e programas descritos na segunda sessão.  

Palavras-chave:assistência social, políticas publicas, CRAS volante

1-      O INDIVÍDUO EM SEU CONTEXTO: OBJETO DE INTERVENÇÃO DO
 SERVIÇO SOCIAL CONTEMPORÂNEO


Em diversos momentos históricos brasileiros podemos notar como se construiu o objeto de trabalho do serviço social. Nos anos 30 o foco da ação social era o sujeito em sí, enquanto pessoa humana. Pensava-se que era necessário ajustá-lo ao meio, à sociedade, que era considerada harmônica, organizada e estruturada, onde os sujeitos em situação de vulnerabilidade eram considerados os responsáveis diretos por se encontrar em tal situação. Considerava-se que suas práticas cotidianas divergiam das ideais para se alcançar o estado de harmonia em relação ao social. Cabia então ao Serviço Social, neste momento histórico, orientar esse sujeito para que se adequasse ao meio, harmonizando-se com ele                             ( SCHEUNEMANN, 2010, p.13)
Na década de 50 observamos o surgir de um serviço social voltado para o trabalho com grupos, principalmente os clubes de mães, com o objetivo de, desenvolvendo a noção de que o trabalho em grupo proporciona o bem de todos, melhorar as condições de vida, do meio e da comunidade. Neste momento o agir profissional ainda era voltado para o indivíduo ( ainda que na perspectiva de grupo), responsabilizando-o pelos quadros de vulnerabilidades. ( SCHEUNEMANN, 2010, p.19).
Nos anos 60 começamos a observar de fato grandes mudanças na prática social. Esta se volta para a crítica das estruturas de classes, unindo o seu pensar ao dos movimentos estudantis e lutas políticas. Percebe-se que o contexto latino-americano possui características próprias e era necessário um pensar e uma prática social que abarcasse essa realidade. O foco social neste momento deixa de ser o indivíduo e passa a ser as estruturas que o envolvem e determinam a sua condição enquanto sujeito social. Nasce o Movimento de Reconceituação do Serviço Social, trazendo a ideia de que a pobreza tem suas causas nas estruturas que envolvem os sujeitos.

[...] o serviço social atua na base das inter-relações do binômio indivíduo-sociedade. [...] como prática institucionalizada, o serviço social se caracteriza pela atuação junto à indivíduos com desajustamentos familiares e sociais. Tais desajustamentos muitas vezes decorrem de estruturas sociais inadequadas. ( SHEUNEMAN, 2010, p.11).


A questão social ( Entendida como fruto do avanço do capitalismo, sistema que gera o surgimento de dois grupos sociais antagônicos, sendo esses o grupo detentor dos lucros provenientes do processo de produção e o grupo dos excluídos, alienados dos produtos finais da produção, sendo este último explorado pelo primeiro) passa a ser objeto de intervenção do serviço social. Percebe-se a necessidade de se trabalhar as estruturas em que estão inseridos os sujeitos das demandas. A estrutura social é um sistema complexo, onde as “peças” estão interligadas e influenciando-se mutuamente, onde a ação de um elemento acaba determinando outro ( SCHEUNEMANN, 2010, p.29-31)
A sociedade capitalista passa a ser notada enquanto um “ campo de batalha”, onde cada grupo busca manter a sua autonomia e os grupos marginalizados por este sistema sofrem situações de risco por estar em desvantagem em relação aos bens produzidos pelo trabalho. O papel do profissional assistente social, neste contexto histórico, é identificar os elementos do sistema que estão causando a vulnerabilidade ou o risco na realidade que se apresentou enquanto demanda. E o seu mitigamento se dá através de mecanismos legais dispostos através de políticas públicas.

Gentilli constata que o objeto do serviço social evoluiu historicamente da mera execução de programas de políticas sociais destinadas à “adaptação social” dos excluídos, para a configuração de objetos mais amplos por se materializarem em ações de formulação, planejamento e implantação de políticas e programas sociais             ( SHEUNEMAN, 2010, p. 104 -105)

Cabe ao profissional, mediante políticas públicas e ações segundo a realidade do local onde atua, fortalecer a representatividade dos grupos marginalizados neste campo de correlação de forças. O profissional é um intermediário, um facilitador entre as políticas públicas e os sujeitos envolvidos na demanda, tendo em mente o fato de que a política pública surge em função de uma observação, de um olhar crítico lançado sobre a estrutura social, sobre o contexto em que se encontravaum determinado grupo social, para depois se atingir cada indivíduo enquanto produto daquele contexto ( SCHEUNEMANN, 2010, p.32)
No caso do município de Varzelândia, percebeu-se a necessidade de maior atenção quanto às expressões desta questão social na zona rural. O município conta com mais de 50 comunidades rurais, algumas muito afastadas da sede, onde as vulnerabilidades e riscos apresentam maior expressão. A proposta de um CRAS volante surge como ação especifica que vá atender a esta realidade específica, através do deslocamento dos profissionais até estas.


1.1.            O CRAS


    O CRAS representa uma materialização da política de assistência social, pois este é o órgão que se encontra próximo ao cidadão, cumprindo o critério de descentralização proposto pela política de assistência. No CRAS são desenvolvidas ações de proteção básica contra vulnerabilidades e riscos sociais apresentadas pelas famílias pertencentes ao território de sua abrangência.

Essa proteção prevê o desenvolvimento de serviços, programas e projetos locais de acolhimento, convivência e socialização de famílias e de indivíduos, conforme identificação da situação de vulnerabilidade apresentada. Esses programas e serviços deverão incluir as pessoas com deficiência e ser organizados em rede, de modo a inseri-las nas diversas ações ofertadas. ( BRASIL, MDS).

    Tendo como unidade de referência para a prestação de serviços afamília, entendida como berço no processo de construção do ser humano, o principal serviço ofertado pelo CRAS às demandas apresentadas por estas é o PAIF               (Proteção e Atendimento Integral à Família.).

Dentre os objetivos do PAIF destacam-se o fortalecimento da função protetiva da família; a prevenção da ruptura dos vínculos familiares e comunitários; a promoção de ganhos materiais às famílias; a promoção do acesso a benefícios, programas de transferência de renda e serviços sócio assistenciais; e o apoio a famílias que possuem, dentre seus membros, indivíduos que necessitam de cuidados, por meio da promoção de espaços coletivos de escuta e troca de vivências familiares.” ( BRASIL, MDS).


Através do CadÚnico faz-se o controle de todo o histórico social da população referenciada e atendida. Os benefícios, serviços e programas são os seguintes: benefícios eventuais, que são transferidos às famílias que passaram por situações de calamidade, normalmente em períodos de chuvas e ventanias, onde procuram benefícios que os subsidiem na reforma do domicilio. situações de vulnerabilidade temporária por nascimentos ou mortes, e não possuem condições financeiras suficientes para arcar com as despesas provenientes de tais acontecimentos.
O BPC ( Beneficio de Prestação Continuada), ofertado a indivíduos portadores de deficiências que os incapacitam para o trabalho e vida autônoma, e também a idosos acima de 65 anos que não possuem ( e nem a sua família) condições de prover a sua sobrevivência. No caso de deficientes, a incapacidade precisa ser comprovada mediante perícia médica realizada pelo INSS. Este benefício não possui caráter contributivo, sendo concedido no momento em que se fizer necessário.
O Bolsa Família, queé um programa de transferência de rendaconcedido às famílias mediante o cumprimento de algumas condicionalidades. Através dos dados dispostos no cadastro único para programas sociais são identificadas as famílias alvo para este benefício, ou seja, famílias com baixa renda, com filhos pequenos entre 0 e 15 anos, ou com jovens entre 16 e 17 anos. Para essas são transferidos valores que variam conforme as características sociais de cada caso        ( BRASIL, MDS).
As famílias beneficiadas, para continuar a usufruir do benefício devem cumprir condições quanto a saúde e educação, como acompanhar o cartão de vacinação e o crescimento das crianças menores de 07 anos, cumprimento da frequência escolar dos filhos e participação em serviços de convivência e fortalecimento de vínculos. Caso essas condicionalidades não sejam cumpridas pode ocorrer o bloqueio e suspensão do benefício ( BRASIL, MDS
O PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil- é outro trabalho de grande destaque no CRAS. Sabemos que ainda é grande o número de crianças e adolescentes que desempenham atividades laborativas em lavouras ou casas de famílias, apesar da existência de leis que o proíbam, apesar da ação contínua do Conselho Tutelar. As famílias cujas crianças fazem parte do PETI são beneficiadas com o bolsa família e cumprem as condicionalidades de manter os filhos na escola e com frequência mínima de 75% nas aulas, como também a participação destes em atividades de socialização.
    Através destes benefícios e programas desenvolvidos na assistência social são mitigadas as demandas que se apresentam. São instrumentos legais e sua disponibilidade e gestão se dão mediante ações da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, tendo o território, as características de cada região, como referência para a alocação de recursos, em cumprimento ao que prevê a Lei Orgânica de Assistência Social, em seu artigo primeiro:

A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas.               ( BRASIL, LOAS, p.06)


A instalação de um CRAS volante em cidades onde há dispersão populacional pelo seu territórioé uma maneira de garantir que toda a população  tenha acesso a informações quanto a estes benefícios, onde o profissional assistente social será elemento fundamental no processo de visitar, informar e encaminhar as famílias para atendimento na sede. Também é uma forma de estar acompanhando continuamente o histórico da família atendida, monitorando e orientando a forma como o beneficio é aplicado às necessidades das mesmas.


2.       QUESTÃO SOCIAL AO LONGO DA HISTÓRIA NA SOCIEDADE CAPITALISTA E AÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE A ESTA


    O objeto de intervenção do Serviço Social no CRAS são as diversas expressões da questão social apresentadas por famílias e indivíduos. Trata-se de uma grande conquista para a assistência social se observarmos que esta hoje é disponibilizada enquanto direito do cidadão, garantida pela União, Estados, DF e Municípios, não mais como filantropia ou benemerência, onde o cidadão, sujeito de direitos, era visto pela sociedade como um “necessitado”. É praticada enquanto profissão, componente da divisão sócio técnica do trabalho.
Tendo nascido em berço conservador, o serviço social surge com o propósito de “educar” a população trabalhadora para o convívio com o novo sistema sócio econômico que surgia, o capitalismo. Segundo afirma Olema Palmira

O serviço social tem suas origens no seio da igreja católica, com o propósito de preparar a população trabalhadora para as exigências do nascente capitalismo industrial. Esse período é hoje compreendido e denominado como ‘conservador’, pois sua lógica será a de adequar as pessoas ao sistema econômico e à política vigente na época (PELLIZER, 2008, p. 14 ).

 Percebe-se a ação de um serviço social voltado para beneficiar o sistema nascente, que logo mais, no processo histórico, será o responsável por gritantes disparidades que gerarão mudanças na forma de pensar dos trabalhadores e do serviço social.

Em cada época do desenvolvimento capitalista, a questão social apresenta refrações próprias da exploração capitalista, de acordo com o modelo de produção desenvolvido no período. Certamente a questão social está relacionada ao modo de produção capitalista e ao processo de industrialização e o consequente surgimento do operariado e da burguesia industrial. Logo, a questão social está fundada e vinculada ao conflito entre capital e trabalho. Segundo Cerqueira Filho      ( in Serra, 2000), o sentido universal do termo questão social significa o conjunto de problemas políticos, sociais e econômicos  que o surgimento da classe operária provocou na constituição da sociedade capitalista [Mazuim;Pellizzer, 2003].                                 ( PELLIZZER, 2008, p.17)

 O sistema capitalista gerou a burguesia industrial, detentora dos bens para produção e detentora dos grandes lucros proporcionados pelo trabalho do operário, grande maioria desapropriada desses lucros, que tentava sobreviver através de uma pequena parcela recebida, o salário, pela venda de sua força de trabalho. Assim nasce a questão social ( SCHEUNEMANN, 2010, p.30).
    A questão social foi tratada de diversas formas ao longo do processo histórico. A classe trabalhadora começa a reivindicar por direitos, o que culminará na criação de Leis Sociais. Não graças ao Serviço Social, que neste momento histórico estava voltado às classes dominantes, ligado à doutrina social da igreja católica, e tinha o objetivo de “adaptar” os trabalhadores ao meio social vigente. Não havia neste momento a percepção de que as estruturas necessitavam de reajustes, mas pensava-se que o trabalhador é que deveria ser ajustado (idem, p. 15).
Na década de 60 começam a surgir grandes movimentações populares reivindicando mudanças. Nessa época o capitalismo experimentava um momento de expansão, com a presença norte-americana, ganhando espaço através de parceria com o programa desenvolvimentista adotado pela administração. Diante desse quadro, dentre os assistentes sociais, começam a surgir reflexões e questionamentos quanto ao papel até então desempenhado pelo serviço social PELLIZZER, 2008, p.24).
 Estaria este de fato favorecendo às classes  populares ou às classes dominantes?     “Estudantes e docentes de serviço social assumiam a necessidade de revisar completamente a profissão, e ocorreu, então, a ruptura da alienação ao perceber-se que suas práticas eram de caráter conservador, subordinado a interesses da burguesia.” (PELLIZZER, 2008, p.25). Esse foi o primeiro despertar do serviço social no intuito de estar trabalhando em prol das classes populares. Nesse momento é fortemente questionada a presença capitalista norte-americana e sua influência sobre a forma de se trabalhar a assistência social ( beneficiando o sistema e não promovendo a emancipação dos sujeitos).
    Nos anos 80 e 90 percebemos a evolução desse pensar: um serviço social voltado para a classe trabalhadora. Nota-se a defesa intransigente dos direitos humanos, expressos em declaração universal pós guerra.

Nesta intenção de ruptura, a compreensão de que o Estado é um espaço contraditório de forças e lutas de poder contribuiu e muito na percepção das contradições e na clarificação do papel dos partidos políticos e do serviço social no projeto de transformação social. A partir desta compreensão o serviço social passou a compreender que seu objeto são as relações sociais, não as relações sociais em sí, mas as contradições presentes nas mesmas. Assim, nos anos 80, define a questão social como seu objeto profissional. Na época, a compreensão de questão social que balizou o serviço social foi a formulação de Raul de Carvalho e Marilda Iamamoto: ‘ a questão social não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária   e seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão ( SCHEUNEMANN, 2010, p. 29).

 A ABEPSS (Associação brasileira de estudos e pesquisa em serviço social) ,  diante da novas reflexões surgidas no contexto atual,  definiu o objeto de intervenção do serviço social e a identidade do profissional assistente social neste meio



O assistente social convive cotidianamente com as mais amplas expressões da questão social, matéria-prima de seu trabalho. Confronta-se com as manifestações mais dramáticas dos processos da questão social no nível dos indivíduos sociais, seja em sua vida individual ou coletiva (idem, p.30).

Atualmente, como materialização da Política Nacional de Assistência Social, o CRAS representa o espaço onde o cidadão busca o seu direito à assistência quando dela necessita, espaço estabelecido no território onde o cidadão se encontra, garantindo acesso aos direitos adquiridos. (BRASIL, CRAS, p.3) É o espaço onde se procura prevenir situações de risco social, trabalhando o empoderamento dos sujeitos sociais, para que sejam também autores nesse processo de emancipação.
    A criação de políticas públicas surge a partir das reivindicações da população trabalhadora. O serviço social atual visa a se comprometer com esse grupo em suas reivindicações, atuando no campo da formulação e gestão destas políticas. Governantes e população de modo geral se responsabilizam ( embora a participação desta última ainda seja muito pequena) pelo controle social da mesmas e o CRAS é o espaço a partir do qual os benefícios da Política de assistência social chegam ao usuário, cidadãos, sujeitos de direitos ( SCHEUNEMANN, 2010, p. 32).

O CRAS volante seria o agente responsável por levar este atendimento àqueles que estão à margem, até mesmo de informações, quanto a direitos adquiridos mediante a luta das classes. Nesta perspectiva o profissional trabalha em prol da garantia de acesso aos direitos adquiridos. A proposta de um serviço que se desloca da sede para locais referenciados onde a população se encontra dispersa vai além da proposta de territorialização do serviço, pois rompe as barreiras impostas pelas distâncias que separam muitos cidadãos do espaço referência que é o CRAS sede.  
A análise da realidade, com suas especificidades, é quepermite traçar os planos de ação necessários a cada caso. Municípios onde grande número de componentes se encontra em áreas distantes do CRAS referência, pedem a atuação do CRAS volante como estratégia de enfrentamento das expressões da questão social. 

Para a elaboração de estratégias em serviço social é de suma importância a análise da realidade para que possamos entender o que está acontecendo no contexto no qual iremos intervir. Assim, é necessário avaliar a situação a partir de alguns pressupostos básicos, tais como a essência das questões que devem ser vistas sempre de forma multidimensional, pois estão interligadas.                 ( GOMES; SANGHI; CSHEUNEMANN, 2010, p. 29).

A zona rural pede atenções especificas que diferem da sede. São casos onde observamos a pobreza material e suas consequências, refletidas no grau de instrução da população; nas atitudes diante das questões do dia a dia; no alcoolismo que assola muitas famílias abarcando muitos homens, pais de famílias, como também jovens. A realidade das comunidades reflete a falta de perspectivas de muitos jovens quanto ao futuro.
São questões que o assistente social encontra ao se deslocar da sede rumo às demandas. Diante destes casos cabe a tal profissional usar todo o seu aparato de conhecimento, habilidades e atitude, no sentido de orientar, conduzir e intervir na realidade a fim de promover os sujeitos nela envolvido


3.       O TRABALHO VOLANTE PROPOSTO AOS CRAS's  : PERSPECTIVAS DE AÇÃO.


O presente tópico pretende socializar a proposta de instalação do CRAS volante em municípios cuja população se encontra dispersa pelo território de referencia. O município de Varzelândia- local onde desenvolvi o meu estágio curricular obrigatório em Serviço Social- figura neste tópico como exemplo ilustrativo desta  estratégia de enfrentamento às expressões da questão social que se tornam demandas nas comunidades rurais.

A articulação de estratégias está diretamente ligada ao objetivo que se quer atingir num dado momento, e, para isso, fundamenta-se através do processo de conhecimento da realidade, pois, conforme Morin ( 2000: 192), é a arte de utilizar as informações que aparecem na ação, de integrá-las, de formular esquemas de ação e de estar apto para reunir o máximo de certezas para enfrentar a incerteza.       ( GOMES; SANGHI; SCHEUNEMANN, 2010, p. 10).


O trabalho volante trata-se de uma prática instituinte no município, ou seja, é um trabalho novo, em fase experimental, que pretende sanar a necessidade de informações quanto aos benefícios provenientes da assistência social, bem como acompanhar de maneira mais efetiva a forma como os beneficiários estão administrando os recursos recebidos.
Muitas famílias na zona rural deixam de se beneficiar de seus direitos por não saber onde procurá-los. O CRAS volante tem a finalidade de facilitar o acesso aos diversos benefícios da seguridade social. Um trabalho de intervenção e prevenção de vulnerabilidades e riscos.
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome disponibiliza ao CRAS todas as orientações referentes à composição, financiamento, e procedimentos do trabalho volante. Informa que o CRAS volante não é uma instancia independente do CRAS sede, mas sim uma extensão deste, atuando em territórios onde ocorre dispersão populacional, ou seja, grande concentração de pessoas em zonas rurais.
Estre trabalho é financiado por meio do piso básico variável, que financia as especificidades identificadas no município, para manutenção de uma equipe composta por dois profissionais de nível superior, sendo um assistente social e, de preferencia, um psicólogo, e dois profissionais de nível médio.
Ao assistente social, acompanhado pelo psicólogo, cabe a realização das atividades que compõem o PAIF, ou seja, acolhida, ações particularizadas, acompanhamento familiar particular ou em grupo, de acordo com as especificidades socioterritoriais e encaminhamentos. ( BRASIL, MDS). Também desempenha a função de técnico de referência do serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, quando as atividades deste serviço forem desenvolvidas nas localidades atendidas pela equipe volante. ( BRASIL, MDS).
Oferta o serviço de proteção básica no domicilio para famílias com presença de pessoas com deficiência ou idosos que dele necessitem; identifica as famílias com perfil para acesso à renda, com registro específico daquelas em situação de extrema pobreza; identifica situações de vulnerabilidade e risco social ofertando os serviços cabíveis a cada caso ou encaminhando as situações para outros serviços.
O profissional assistente social, neste âmbito de ação, se responsabiliza por fazer um levantamento das necessidades locais relativas ao SUAS, observadas durante o trabalho volante, repassando –as ao coordenador do CRAS sede, para que sejam tomadas as devidas providências. Trata-se de uma articulação dos setores do CRAS no sentido de garantir o acesso da população rural aos benefícios.
O MDS orienta que é fundamental a promoção de reuniões periódicas organizadas pela coordenação do CRAS sede com a sua equipe de referência e equipe volante, no sentido de planejar as ações e avaliar os resultados obtidos através da estratégia específica de deslocamento do trabalho ás comunidades. Também se faz indispensável a participação do assistente social em formações continuadas, lembrando que a realidade é mutável e exige atualização das estratégias de combate às questões que cada momento histórico traz consigo.
Outro ponto que o MDS destaca se refere ao registro das informações sobre atendimento, encaminhamento e acompanhamento às famílias. Inserção de informações sobre a relação da família  com as condicionalidades ligadas ao Bolsa Família, ou seja, se está havendo negligências com a saúde, a educação. Se houve suspensão de beneficio, enfim, todas as informações referentes aos atendimentos e encaminhamentos devem ser registrados pelo profissional.
Cada CRAS pode possuir apenas uma equipe volante, e esta se responsabiliza pela continuidade da oferta dos serviços de proteção às comunidades rurais, garantindo o retorno periódico da equipe a cada localidade. Fica sob sua competência o conhecimento das famílias e suas principais características, ou seja, esta equipe, e principalmente o assistente social, deve estar atento às vulnerabilidades que compõem a realidade de cada caso, “possibilitado o acesso á rede de serviços, bem como dando visibilidade e fortalecendo o desenvolvimento de suas potencialidades, por meio do apoio do poder público. ( BRASIL, MDS).


4- CONSIDERAÇÕES FINAIS

O município de Varzelândia conta com mais de cinquenta comunidades rurais. O CRAS Padre José Silveira, que há poucos anos se estruturou enquanto CRAS, se prepara neste ano para começar o trabalho volante. As assistentes sociais, em seu cotidiano profissional, realizam visitas periódicas às comunidades, conforme os casos que se apresentam ao CRAS sede. A proposta do trabalho volante se justifica a partir do momento em que as demandas exigem um acompanhamento mais efetivo, com maior constância e presença das profissionais junto aos sujeitos demandantes.
Durante o estágio obrigatório pude acompanhar uma dessas visitas, cujo objetivo era a entrega de algumas cestas básicas a algumas famílias em risco nutricional ( atendimento emergencial prestado pelo município), bem como acompanhar a forma como uma cuidadora de idoso estava aplicando o beneficio em prol do verdadeiro dono. Constatou-se, e esta é uma realidade que se repete em muitos casos, que os cuidados ao idoso estavam sendo negligenciados. Em conversa com a cuidadora esta promete que irá aplicar melhor o recurso. Este é um exemplo ilustrativo do tipo de casos que exigem um acompanhamento efetivo para que o direito se concretize na vida da criança, do adolescente, do jovem, do idoso, da família; sendo o CRAS volante um instrumento que possibilitará essa presença constante nas comunidades afastadas da sede.


BIBLIOGRAFIA:

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